PROGNÓSTICO CLIMÁTICO PARA AGOSTO, SETEMBRO E OUTUBRO DE 2008, PARA O ESTADO DO ESPÍRITO SANTO 

Neri Ellen Fernandes da Nóbrega[1]

Hugo Ely dos Anjos Ramos[2]

José Geraldo Ferreira da Silva[3]

 

I – Diagnóstico

 

O mês de maio de 2008 (Figura 1) foi marcado pela diminuição brusca das precipitações em todas as regiões capixabas. As chuvas que ocorrerão durante este período estão associadas à passagem de sistemas frontais que avançaram pelo Estado neste mês de maio e a uma alta pós frontal no Oceano Atlântico, que reforçou a Alta Subtropical do Atlântico, o que provocou a advecção de umidade do oceano, causando chuvas em toda a faixa leste do sudeste do Brasil. Os maiores acumulados foram registrados no dia 01/05, com o valor máximo ocorrido no litoral de Linhares (região nordeste do ES), com valores de 91,0 mm no distrito de Pontal do Ipiranga e 136,0 mm no distrito de Povoação, resultado da passagem de um sistema frontal que se originou no final do mês de abril e avançou pelo continente. Entre os dias 14 e 15 de maio as chuvas ocorreram com menor intensidade, principalmente no sul do ES, ocasionadas por um sistema de alta pressão no oceano. Durante estes dias foram registradas as menores temperaturas do ano, até então, em quase todos os municípios capixabas. Um outro sistema frontal ocorrido no final do mês provocou chuvas de pequena intensidade em quase todo o Estado no dia 31/05. Este sistema provocou ainda, a queda nas temperaturas máximas em todas as regiões capixabas. Já no mês de Junho de 2008 (Figura 2) as frentes frias chegaram ao Espírito Santo com mais freqüência, provocando quedas bruscas nas temperaturas, sendo que o primeiro episódio do mês ocorreu entre os dias 14 e 16/06, ocasionando o fenômeno de friagem. Outro sistema frontal chegou ao Estado por volta do dia 24/06, também ocasionando queda nas temperaturas. Já as chuvas ocorreram principalmente na faixa leste capixaba, com os maiores índices ocorridos na região litorânea, com valores entre 70 mm e 90 mm. Nas demais regiões, os totais de precipitação não ultrapassaram os 20 mm. O mês de Julho (Figura 3) foi marcado pelo baixo índice de precipitação em todas as regiões capixabas. Tendo sido as maiores precipitações ocorridas no litoral norte, entre 40 mm a 60 mm. Na região nordeste as chuvas oscilaram entre 20 e 40 mm. Nas demais regiões, as chuvas não chegaram a 20 mm. As poucas chuvas e as altas temperaturas registradas durante este mês de Julho estiveram associadas a uma forte massa de ar seco, que inibiu a formação de nuvens e provocou queda significativa nas umidades relativas, que chegaram a ficar abaixo dos 30% no período da tarde nos município localizados no oeste e sul capixabas. Na Figura 4 observa-se um período de estiagem maior nos municípios do extremo norte, no noroeste e oeste capixaba, onde os acumulados de precipitação acima de 5 mm não ocorrem a mais de 120 dias. 

 

 

II – Climatologia do Trimestre Agosto, Setembro e Outubro para o Estado do Espírito Santo.

 

Climatologicamente, os meses de Agosto (Figura 5), Setembro (Figura 6) e Outubro (Figura 7) (estação do inverno e início da primavera no hemisfério sul) são marcados pelos baixos valores de precipitação. Em Agosto, os valores médios variam entre 50 mm e 75 mm em praticamente todas as regiões, com exceção da microrregião oeste, onde a média de precipitação não ultrapassa os 30 mm e no litoral sul, onde as chuvas médias se situam entre 75 mm a 100 mm. No mês de Setembro as chuvas variam entre 50 mm a 100 mm em toda a faixa leste, sul e região serrana capixaba e entre 25 mm e 50 mm no extremo norte e noroeste do Espírito Santo. Já o mês de outubro caracteriza-se pelo aumento gradativo nas precipitações em praticamente todas as regiões capixabas, com chuvas médias entre 75 mm e 100 mm na região noroeste e extremo norte e entre 100 mm e 150 mm nas demais regiões capixabas.

A estação do inverno caracteriza-se por ser uma estação de baixa precipitação e temperaturas amenas. O aumento da intensidade do deslocamento das frentes frias sobre a região provoca mudanças significativas no tempo do Estado, pois após a sua passagem há considerável queda nas temperaturas, principalmente na região serrana. Outro fenômeno que costuma ocorrer com maior freqüência durante o inverno são as inversões térmicas, que dependendo do nível de poluição das cidades pode acarretar danos à saúde e os nevoeiros, bem como a diminuição nos índices de umidade relativa no período da tarde (principalmente na faixa oeste). Já a estação da primavera é marcada pelo aumento gradativo das precipitações e temperaturas em todas as regiões.

No inverno, as temperaturas diminuem gradualmente, com médias máximas em torno dos 20ºC e temperaturas médias mínimas de 8ºC na região serrana. Nas demais regiões do Estado, as médias máximas ficam em torno dos 25ºC e as médias mínimas em torno dos 14ºC. A partir do início da primavera, as temperaturas máximas médias oscilam em torno dos 26ºC e as mínimas médias em torno dos 12ºC na região serrana e entre 32ºC e 18ºC nas demais regiões.

 

III – Prognóstico Climático para o Trimestre Agosto, Setembro e Outubro de 2008.

             

As condições oceânicas e atmosféricas e os modelos de previsão climática apontam para o término do fenômeno La Niña na região do Pacífico Equatorial, com uma situação de transição para um novo episódio quente do fenômeno ENOS nos meses subseqüentes. A previsão para o trimestre Agosto, Setembro e Outubro de 2008 é de que as chuvas ocorram abaixo ou próximo da normalidade no Estado do Espírito Santo. Em relação às temperaturas, a tendência é que se situem dentro ou um pouco acima da média histórica em todo o Estado do Espírito Santo (Previsão de Consenso CPTEC/INPE e INMET).

 

Figura 1 - Total acumulado de chuva no mês de Maio de 2008 no Espírito Santo.

Figura 2 - Total acumulado de chuva no mês de Junho de 2008 no Espírito Santo.

Figura 3 - Total acumulado de chuva no mês de Julho de 2008 no Espírito Santo.

Figura 4 - Dias secos consecutivos, sem chuvas acima de 5 mm, no Espírito Santo.

 

                  Estes mapas podem ser melhor visualizados no link a seguir: SIAG

 



[1] Meteorologista, Bacharel, bolsista do CNPq, enobrega@incaper.es.gov.br, (27)3371-5165

[2] Meteorologista, Bacharel, bolsista do CNPq, hugoely@incaper.es.gov.br, (27)3371-5165

[3] Engenheiro Agrícola, DSc. Irrigação e Drenagem, Pesquisador do Incaper, jgeraldo@incaper.es.gov.br, (27)3371-5169.